Guilherme Brum Não concordei. A dinamarquesa apenas disse que não devemos influenciar as mulheres e que elas devem escolher o que querem para si próprias. Incluindo o aborto. Mas se elas não querem isso, então que escolham não fazê-lo.
Olavo de Carvalho Guilherme
Brum Erradíssimo. Como introduzir a escolha entre aborto e não-aborto
sem dizer uma palavra em favor do aborto e nivelá-lo, moralmente, à
hipótese oposta? Você aceitaria um discurso de livre escolha entre matar
e não matar a sua mãe?
A maior parte das pessoas toma partido por simpatia espontânea, em seguida produz argumentos para justificá-lo, e acha que isso é "pensar". Mas é automatismo verbal apenas. Não se pode PENSAR sem antes apreender um conceito na realidade concreta do objeto que lhe corresponde. A maioria não apenas não sabe fazer isso como aliás nem imagina o que seja. Por exemplo, um rapaz aí em baixo argumenta em favor da dinamarquesa da ONU, alegando que ela não pregou o aborto, apenas a "livre escolha". Com isso acha que neutralizou o argumento da africana, de que na maior parte das línguas da sua terra não existe sequer um meio de sugerir o aborto como coisa boa. Não é possível propor a livre escolha sem nivelar moralmente as duas opções -- justamente o que a africana disse que, nas línguas da África, não dá para fazer. Portanto, a proposta da "livre escolha" já é uma intervenção devastadora nas culturas locais.
Por mais que eu tente, é impossível, no curso de uma discussão, organizar a mente do interlocutor. Ninguém aprende nada quando está só a fim de discutir. A maior parte das pessoas não tem a mais vaga idéia de quanto sua mente é confusa.
No Brasil, a "ignoratio elenchi" -- não perceber qual o ponto em discussão -- é endêmica.
Se defendo o seu direito de escolher livremente entre matar ou não matar a sua mãezinha, estou sugerindo que as duas opções são igualmente legítimas. É difícil de entender? Para muita gente, é.
Na cultura cristã ou nas culturas tribais africanas, o aborto NÃO É uma opção nem mesmo pensável. Só se torna pensável mediante uma intervenção cultural de fora. Para que essa intervenção se realize em proporções devastadoras, basta introduzir o slogan da "livre escolha".
A maior parte das pessoas toma partido por simpatia espontânea, em seguida produz argumentos para justificá-lo, e acha que isso é "pensar". Mas é automatismo verbal apenas. Não se pode PENSAR sem antes apreender um conceito na realidade concreta do objeto que lhe corresponde. A maioria não apenas não sabe fazer isso como aliás nem imagina o que seja. Por exemplo, um rapaz aí em baixo argumenta em favor da dinamarquesa da ONU, alegando que ela não pregou o aborto, apenas a "livre escolha". Com isso acha que neutralizou o argumento da africana, de que na maior parte das línguas da sua terra não existe sequer um meio de sugerir o aborto como coisa boa. Não é possível propor a livre escolha sem nivelar moralmente as duas opções -- justamente o que a africana disse que, nas línguas da África, não dá para fazer. Portanto, a proposta da "livre escolha" já é uma intervenção devastadora nas culturas locais.
Por mais que eu tente, é impossível, no curso de uma discussão, organizar a mente do interlocutor. Ninguém aprende nada quando está só a fim de discutir. A maior parte das pessoas não tem a mais vaga idéia de quanto sua mente é confusa.
No Brasil, a "ignoratio elenchi" -- não perceber qual o ponto em discussão -- é endêmica.
Se defendo o seu direito de escolher livremente entre matar ou não matar a sua mãezinha, estou sugerindo que as duas opções são igualmente legítimas. É difícil de entender? Para muita gente, é.
Na cultura cristã ou nas culturas tribais africanas, o aborto NÃO É uma opção nem mesmo pensável. Só se torna pensável mediante uma intervenção cultural de fora. Para que essa intervenção se realize em proporções devastadoras, basta introduzir o slogan da "livre escolha".

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