Não chega a ser lindo, charmoso,
encantador que, quanto mais o “establishment” universitário alardeia o
multiculturalismo, a equivalência de todas as culturas e o fim do
“etnocentrismo”, com mais arrogância e prepotência ele imponha o modelo
ocidental moderno de ciência como o juiz supremo e último de todas as
discussões?
Se as culturas de todos os lugares se
equivalem, por que não as de todos os tempos? Se a cultura ianomâmi é um
valor a ser preservado, por que a cultura da Europa cristã é uma massa
nojenta de erros e preconceitos que tem de ser destruída?
Talvez a mais grotesca mentira histórica
ensinada às crianças nas escolas e reproduzida “ad nauseam” nos filmes e
na TV, para gáudio e orgulho dos Pirrôlas da vida, seja a de que o
advento da ciência moderna, no Renascimento, acabou com o sistema
medieval de pseudociências e superstições. O Renascimento, foi, ao
contrário, o período histórico de maior florescimento da alquimia, da
astrologia e da magia, em doses que os medievais não poderiam nem mesmo
imaginar. E com freqüência os pioneiros da ciência moderna, como Isaac
Newton, Elias Ashmole e Johann Kepler foram eles mesmos os mais devotos
praticantes das “superstições” alegadamente medievais. Isso é talvez o
fato histórico mais abundantemente comprovado e o mais persistentemente
ocultado.
Você sabia? Grande parcela da arte
renascentista, hoje esquecida, constituiu-se de pura pornografia — a
única atividade lucrativa que restava para os artistas que não tinham
obtido sucesso na Igreja e na côrte.
O de C
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