quinta-feira, 5 de maio de 2016

O ponto central da minha aula de terça-feira pode ser condensado desta maneira: o objetivo do movimento comunista não é criar uma sociedade x ou y, não é "tomar o poder" neste ou naquele país, não é nem mesmo "dominar o mundo" (expressão grosseira que sugere um impossível estado de coisas definitivo). Seu objetivo é DIRIGIR O CURSO DA HISTÓRIA, o movimento abrangente do tempo humano numa escala de séculos.

O "ponto de chegada", se algo merece esse nome, (1) move-se para a frente à medida que o movimento avança; (2) não pode sequer ser descrito desde o ponto de vista do homem presente, que é o homem alienado.

Quando Karl Marx diz que o socialismo não pode ser descrito de antemão porque só se definirá a si mesmo no curso da práxis, e quando o Lula diz "Ainda não sabemos qual o tipo de socialismo que queremos", os dois DIZEM EXATAMENTE A MESMA COISA.

O caráter onipresente e protéico do movimento comunista, que o torna às vezes invisível para seus inimigos nominais, decorre da sua própria natureza de engenharia global do processo histórico -- uma concepção que vai muito além do que o anticomunismo vulgar da "direita" pode abranger.

A força autotransformadora dessa entidade proteiforme pode-se medir pelo fato de que, como observou Jean-François Revel, a queda da URSS não debilitou, mas revigorou o movimento comunista mundial, bem diante dos olhos cegos dos "analistas estratégicos" ocidentais.

Uma vida inteira de estudos não basta para uma inteligência individual abarcar numa visão sintética eficiente a complexidade do movimento comunista. E aí vem o Reinaldo Azevedo se gabando de que tem lá a sua bibliografia. Pois que a enfie no cu, onde caberá sem dificuldade.

O de C




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