O ponto central da minha aula de terça-feira pode ser condensado
desta maneira: o objetivo do movimento comunista não é criar uma
sociedade x ou y, não é "tomar o poder" neste ou naquele país, não é nem
mesmo "dominar o mundo" (expressão grosseira que sugere um impossível
estado de coisas definitivo). Seu objetivo é DIRIGIR O CURSO DA
HISTÓRIA, o movimento abrangente do tempo humano numa escala de séculos.
O "ponto de chegada", se algo merece esse nome, (1) move-se para a
frente à medida que o movimento avança; (2) não pode sequer ser descrito
desde o ponto de vista do homem presente, que é o homem alienado.
Quando Karl Marx diz que o socialismo não pode ser descrito de
antemão porque só se definirá a si mesmo no curso da práxis, e quando o
Lula diz "Ainda não sabemos qual o tipo de socialismo que queremos", os
dois DIZEM EXATAMENTE A MESMA COISA.
O caráter onipresente e protéico do movimento comunista, que o torna
às vezes invisível para seus inimigos nominais, decorre da sua própria
natureza de engenharia global do processo histórico -- uma concepção que
vai muito além do que o anticomunismo vulgar da "direita" pode
abranger.
A força autotransformadora dessa entidade proteiforme pode-se medir
pelo fato de que, como observou Jean-François Revel, a queda da URSS não
debilitou, mas revigorou o movimento comunista mundial, bem diante dos
olhos cegos dos "analistas estratégicos" ocidentais.
Uma vida inteira de estudos não basta para uma inteligência
individual abarcar numa visão sintética eficiente a complexidade do
movimento comunista. E aí vem o Reinaldo Azevedo se gabando de que tem
lá a sua bibliografia. Pois que a enfie no cu, onde caberá sem
dificuldade.
O de C
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