domingo, 13 de março de 2016

A realidade é matemática, a realidade é música, a realidade é linguagem… Todas essas lindas afirmações são pensamento metonímico, fruto do desejo histérico de reduzir a um fator controlável algo que nem mesmo conseguimos apreender no todo. Seus autores são índios botocudos buscando nas formas geométricas de potes e panelas um refúgio contra o temor da floresta. Essas sentenças tornam-se verdadeiras quando as invertemos: matemática é realidade, música é realidade, linguagem é realidade. A realidade nos transcende e abarca, contém tudo e não se reduzirá jamais a nada que possamos “pensar”.

Você não CONHECE sua mãe, sua namorada, seu pai, seu irmão, seus amigos? Conhece. Agora diga: pode PENSÁ-LOS, abrangê-los mentalmente como abrange o conceito de triângulo e defini-los como se define uma palavra no dicionário? Não, não pode. Mutatis mutandis, isso se aplica mais ainda à REALIDADE. Você pode conhecê-la, mas não pensá-la. Por isso mesmo não pode reduzi-la a nada que se consiga “pensar”. De tentar morreu um burro.

Conhecer a realidade não é espremê-la no pensável: é integrar-se nela conscientemente e de todo o coração, como o nadador que conhece o mar jogando-se nele sem medo das ondas.

A impotência gera o sonho de onipotência. Todo idealismo subjetivo — sobretudo os disfarçados, tão comuns na modernidade — reflete um desejo de fugir para um mundinho da nossa própria invenção. Não me curei disso estudando, mas ficando perdido no mato por quatro dias. NADA ali era o que eu pensava.

 O de C

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