terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

No Brasil só há dois meios de adquirir cultura superior: estudar sozinho ou cair fora do país. O resto é CHARLATANISMO.

O de C
O Brasil é o único país do mundo onde você não precisa ter uma filosofia para ser filósofo. Um diploma de qualquer faculdade serve. Esse fenômeno estranho já foi notado por eminentes observadores estrangeiros desde os anos 50 do século passado.

De tudo o que li de brasileiros chamados de filósofos, só encontrei filosofia, no sentido pleno, em Maurílio Penido, Vicente Ferreira da Silva, Paulo Mercadante, Miguel Reale e Mário Ferreira dos Santos. O Vilém Flusser não vale porque era checo.


O de C

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um chavão infindavelmente repetido pelos sabichões da mídia é que "intervenção militar" é o mesmo que "ditadura militar" ou desemboca sempre em ditadura militar. Isso é ignorar um episódio fundamental da história brasileira: o mais longo período de democracia que este país já teve foi inaugurado precisamente pelos militares que deram fim à ditadura Vargas quando voltaram da guerra, indignados de ter lutado contra o fascismo em nome de um governo fascista.

O de C
A única vez que sugeri xingar alguém foi quando expliquei que era preciso humilhar os comunolarápios em público, porque psicopatas não têm sentimentos morais mas sabem perceber quando estão por baixo. Por vias sutis e impossíveis de rastrear, a moda pegou. Ainda acho que fiz a coisa certa, e o povo inteiro concorda.

O de C
Quantas vezes vocês já não ouviram alguém me designar como "o filósofo boca-suja"? É com certeza a única parte do meu ensinamento filosófico que se impregnou na mente do desgraçado.
Quando uso um palavrão, é invariavelmente como complemento enfático de alguma explicação que acaba de ser dada ou que já foi dada mil vezes. O mentecapto não apreende a explicação, guarda na memória só o palavrão e conclui: "Ele não argumenta.Só xinga."
José Bonifácio de Andrada e Silva dizia muito mais palavrões do que eu, e os usava com intuito francamente agressivo, sem sombra de humorismo. O homem criou um país, e é só porque ninguém conhece NADA da biografia dele que ele não entrou para a história do Brasil como um simples "político boca suja".
A estupidez dessas criaturas chega a me fazer duvidar de que pertençam à espécie humana.

Juntando à estupidez a malícia criminosa, algune desses sujeitos chegaram a fazer do falso testemunho um gênero literário, o único que praticam e ao qual consagram uma devoção admirável.
Esse gênero consiste em revirar fragmentos da minha vida, ou da vida de meus parentes, dando um sentido criminoso e abominável a cada detalhe, por mais deslocado e irrisório que seja.
Exemplo. Meu filho Davi trabalhou muitos anos como decorador de templos religiosos. Os temas dos seus trabalhos de marchetaria refletiam, é claro, as preferências religiosas dos clientes, não as dele. Daí que ele criasse obras com temas cristãos, budistas, muçulmanos ou quaisquer outros.
Aí vem o espertalhão e vê nisso a prova de que não só o Davi é um gnóstico, mas eu também o sou. E ainda nos dá lições de moral, intimando-os a abandonar a heresia e "voltar à Santa Madre Igreja"...


O anti-olavismo militante é o mais grotesco, mórbido e repugnante fenômeno de teratologia intelectual que já se observou em qualquer época ou nação.
Pelas dimensões que alcançou, ele é o mais importante documento da decomposição mental brasileira nesta fase da vida nacional.
Ignorá-lo é deformar gravemente a história deste período.

Sinais dessa tendência incoercível à estupidez, numa escala infinitamente mais modesta, já apareciam em outras épocas da história nacional.
Décadas atrás o Lima Barreto (o cineasta de "O Cangaceiro", não o escritor) foi entrevistado na TV e a coisa mais inteiigente que lhe perguntaram foi:
-- Por que você usa barba?
Ele respondeu:
-- Eu não a "uso" para nada. Eu apenas a tenho.



O de C
"Muitas pessoas não abdicam do erro porque devem a ele a sua existência." (Goethe)
Só me comunico com meus alunos nas aulas de sábado, e com os meus leitores no Facebook. Não tenho contatos secretos, não tenho uma linha de comando, não tenho assessores espalhados por toda parte para transmitir palavras-de-ordem, não tenho NENHUM mecanismo montado para desencadear e controlar as ações de quem quer que seja.
De onde vem àquelas gentis criaturas, então, a impressão do “poder olaviano” secreto, sorrateiro, conspiratório e onipresente por trás de toda a hostilidade que elas mesmas atraem com sua conduta abjeta e criminosa?
Sim, o poder olaviano existe. É o poder da palavra clara e exata, que, dita no momento certo, ecoa no coração das massas e, por mil canais que não controlo nem conheço, se transfigura em “vox populi”.
Essa palavra não sussurra instruções secretas aos ouvidos de ninguém, não dá ordens de qualquer tipo que seja, não instila, na calada da noite, sugestões criminosas nas almas de “fanáticos idólatras”, atados à autoridade do guru por uma hierarquia de comando e sanções disciplinares, para que ataquem e destruam reputações aliás duvidosas.
Essa palavra cumpre apenas a função do escritor: ela dá voz a quem não tem, ela ensina as pessoas a expressar-se e libertar-se, ela forja a linguagem na qual todo um povo consiga dizer o que estava calado na sua garganta. Como bem afirmou a meu respeito Herberto Sales, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, “há no seu pensamento como o sopro de uma epopéia da palavra, a palavra destemidamente lúcida e generosamente insurgente, rebelde e justa, brava e exata.”
Essa é a diferença que me separa dos intrigantes e, malgrado a imensa diferença de meios materiais entre quem tem apenas uma página do Facebook e os desfrutadores maiores da mídia e das cátedras, os atemoriza e os joga nos mais dolorosos transes da raiva impotente.
Essa diferença é imensurável e irremovível: Eu sou um ESCRITOR, eles são apenas uns pobres rabiscadores de chavões, repetidores de clichês subginasianos.
Ante a sua patética impotência literária, o poder de um escritor deve parecer mesmo coisa tão misteriosa e inexplicável que requeira, para acalmar as suas alminhas trêmulas, toda uma teoria da conspiração.


O de C