Forçado pelas circunstâncias a deixar a minha biblioteca num depósito
enquanto o meu novo escritório não fica pronto, só cinco autores me
acompanharam com suas obras completas nesta minha estadia temporária na
casa do Pedro: Platão, Aristóteles, Dante Alighieri, Shakespeare e Eric
Voegelin. Só por esse indício vocês já avaliam o tremendo respeito que
tenho pelo falecido professor da Universidade da Louisiana.
Trouxe também a Bíblia na tradução do Pe. João Pereira de Figueiredo.
O de C
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Um dos absurdos maiores das teorias políticas contemporâneas é que
continuam a distinguir entre democracia e ditadura pelas instituições e
leis apenas, sem levar em conta os novos MEIOS DE AÇÃO postos à
disposição dos governos e de seus aliados pelos progressos da
tecnologia. Graças a esses meios, um governo formalmente democrático
pode hoje exercer sobre os governados um controle muito mais invasivo do
que as ditaduras de outras épocas -- ou mesmo as ditaduras mais pobres
de hoje -- ousariam sequer sonhar.
Rumo ao controle total da opinião pública:
http://abcnews.go.com/Technology/facebook-youtube-microsoft-twitter-crack-hate-speech/story?id=39499583
O de C
Rumo ao controle total da opinião pública:
http://abcnews.go.com/Technology/facebook-youtube-microsoft-twitter-crack-hate-speech/story?id=39499583
O de C
Tudo o que é bom pode ser dito de maneira nua e crua, com realismo
brutal e até com palavrões. Tudo o que não presta tem de vir numa
embalagem verbal toda de eufemismos, toda lindinha e florida. Já
acusaram até a linguagem da Bíblia de ser imoral e violenta, mas jamais
diriam isso dos discursos da CNBB.
O DE C
O DE C
quinta-feira, 2 de junho de 2016
O liberalismo é a descrição objetiva de um modelo econômico racional
ou é só um véu ideológico destinado a encobrir um modelo econômico
exatamente oposto, marcado pela concentração ilimitada do poder nas mãos
dos metacapitalistas aliados com o Estado? Sem dúvida, é as duas coisas
ao mesmo tempo, com a ressalva de que os porta-vozes da primeira nem
sempre estão conscientes da segunda, à qual podem servir com a maior
inocência.
P. S. -- Por isso só acredito em liberais que sabem que liberalismo e capitalismo nem sempre caminham na mesma direção.
"Open Society", afinal, é ao mesmo tempo o nome de um modelo econômico racional-ideal e o nome da fundação criada por George Soros para destrui-lo. Todo o drama atual das democracias capitalistas se condensa nessa expressão de duplo sentido.
O de C
P. S. -- Por isso só acredito em liberais que sabem que liberalismo e capitalismo nem sempre caminham na mesma direção.
"Open Society", afinal, é ao mesmo tempo o nome de um modelo econômico racional-ideal e o nome da fundação criada por George Soros para destrui-lo. Todo o drama atual das democracias capitalistas se condensa nessa expressão de duplo sentido.
O de C
Faço aqui, mutatis mutandis, uma analogia com o que Eric Voegelin
observou sobre o Estado alemão nos anos 30 do século passado. Os modelos
de convivência e associação vigentes na sociedade civil determinam a
estrutura real do poder de Estado, independentemente das normas legais
consagradas oficialmente. Ou estas últimas refletem aqueles modelos, e
aí temos uma sociedade política funcional, ou se sobrepõem a eles como
um verniz, encobrindo sob uma camada de adornos jurídicos as
relações reais de poder. Neste caso, tudo na vida política é farsa e
língua dupla, às vezes sem que os personagens envolvidos se dêem plena
conta disso. O deslocamento entre a racionalidade aparente do discurso
político e a substância dos fatos traduz-se em ineficiência
administrativa e corrupção, e a revolta popular contra os maus
governantes, ao expressar-se na linguagem institucional vigente, erra o
alvo por muitos metros, apegando-se a soluções aparentes que, no fim das
contas, agravam a situação.
Um breve exame dos modelos de convivência existentes na sociedade brasileira revela comunidades atomizadas, onde cada um age de maneira imediatista, sem ter a menor consciência dos efeitos das suas ações sobre os seus próximos e às vezes nem sobre o seu próprio futuro. A mesma conduta observa-se em grupos formados por interesses corporativos, sem muita noção do seu papel na sociedade como um todo e na convivência com outros grupos (os professores são o exemplo mais enfático: defendem bravamente os seus interesses de classe sem sentir-se, no mais mínimo que seja, responsáveis pelos efeitos devastadores que a educação que fornecem produz sobre os seus alunos). Um senso de unidade popular só aparece na dissolução dos indivíduos na massa carnavalesca alucinada, e um rudimento de identidade nacional nos campeonatos de futebol.
Não é de espantar que, por baixo do belo quadro institucional e de todos os discursos, a política não passe da disputa animal entre interesses grupais e corporativos, ora sob o pretexto dos direitos humanos e da igualdade, ora sob o da legalidade e da ordem, conforme os agentes se considerem “progressistas” ou “liberal-conservadores”. Mas até os pretextos são intercambiáveis, conforme as conveniências do momento. A linguagem dos debates públicos não serve para descrever a situação, mas para “dar impressão”.
Um princípio de identidade nacional, o sinal da emergência de um autêntico povo brasileiro apareceu nas manifestações de protesto a partir de março de 2015, mas logo a energia ali reunida foi desviada para as “soluções institucionais” em favor da elite política e da “pacificação nacional”. Pela enésima vez a elite salvou-se pela mágica da “conciliação”, repetindo o mecanismo tão bem descrito em dois clássicos dos estudos brasileiros, A Consciência Conservadora no Brasil, de Paulo Mercadante, e Os Donos do Poder,
Um breve exame dos modelos de convivência existentes na sociedade brasileira revela comunidades atomizadas, onde cada um age de maneira imediatista, sem ter a menor consciência dos efeitos das suas ações sobre os seus próximos e às vezes nem sobre o seu próprio futuro. A mesma conduta observa-se em grupos formados por interesses corporativos, sem muita noção do seu papel na sociedade como um todo e na convivência com outros grupos (os professores são o exemplo mais enfático: defendem bravamente os seus interesses de classe sem sentir-se, no mais mínimo que seja, responsáveis pelos efeitos devastadores que a educação que fornecem produz sobre os seus alunos). Um senso de unidade popular só aparece na dissolução dos indivíduos na massa carnavalesca alucinada, e um rudimento de identidade nacional nos campeonatos de futebol.
Não é de espantar que, por baixo do belo quadro institucional e de todos os discursos, a política não passe da disputa animal entre interesses grupais e corporativos, ora sob o pretexto dos direitos humanos e da igualdade, ora sob o da legalidade e da ordem, conforme os agentes se considerem “progressistas” ou “liberal-conservadores”. Mas até os pretextos são intercambiáveis, conforme as conveniências do momento. A linguagem dos debates públicos não serve para descrever a situação, mas para “dar impressão”.
Um princípio de identidade nacional, o sinal da emergência de um autêntico povo brasileiro apareceu nas manifestações de protesto a partir de março de 2015, mas logo a energia ali reunida foi desviada para as “soluções institucionais” em favor da elite política e da “pacificação nacional”. Pela enésima vez a elite salvou-se pela mágica da “conciliação”, repetindo o mecanismo tão bem descrito em dois clássicos dos estudos brasileiros, A Consciência Conservadora no Brasil, de Paulo Mercadante, e Os Donos do Poder,
de Raymundo Faoro. A linguagem do fingimento, ameaçada por uns
instantes, restaurou-se triunfalmente, sufocando uma vez mais a
realidade.
Na minha primeira viagem aos EUA, em 1986, fiquei espantado com o
tamanho das pessoas: eu era um anão no meio de gigantes. Decorridos
trinta anos, caminho pelas ruas e vejo que estou na altura média. Algo
deu errado nesse ínterim: os “alimentos saudáveis” encolheram as
pessoas. Tanto que elas só continuam notavelmente altas nos bairros
pobres, especialmente de negros, onde a cultura da “saúde” não chegou.
Quem também não encolheu foram os gatos de rua. Em 1986 eles me
surpreenderam pelo tamanho anormal, mas até agora não perderam um só
centímetro. Conclusão: mais vale catar comida em latas de lixo do que
seguir os conselhos de nutricionistas politicamente corretos.
O de C
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