domingo, 13 de março de 2016

Bons tempos aqueles em que os idiotas acreditavam em fadas e duendes. Hoje eles acreditam em:
– Aquecimento global.
– Fumo passivo.
– Desarmamento civil.
– Economia sustentável.
– Mídia.
– Autoridade da ciência.
Acreditam também em direitos dos animais, mas isto já é advogar em causa própria.


O de C
Quando o pessoal me chama de “velho”, é claramente uma intimidade forçada, necessidade compulsiva dos zés-ruelas, mas não acho ruim. Filósofo jovem é treta. Um dos raros casos de precocidade filosófica foi Schelling. Sabem no que deu? Teve de refazer sua filosofia quatro vezes, e quando finalmente acertou a mão já ninguém mais queria ouvi-lo.

O de C
Não deveria ser necessário explicar isto, mas É ÓBVIO que não sou maçom nem serei jamais. Nem por isso vou me alinhar com neonazistas numa ridícula campanha anti-maçônica, porque toda a história do Brasil prova que sem o apoio da maçonaria nada se fará neste país.

O de C
A "ideologia de gênero" é uma estupidez tão monstruosa que o simples fato de alguém aceitá-la como hipótese para discussão já revela uma total inépcia intelectual ou então uma má-fé que raia a criminalidade pura e simples. Aplicada à educação, ela destrói nas crianças a capacidade de distinguir entre realidade e fantasia, entre ser e parecer, e cria uma geração de pequenos imbecis que, ao chegar à universidade, não servirão para mais nada além de se divertir, bater pezinho com exigências impossíveis, e fazer uma confusão dos diabos com o pouco que tiverem conseguido aprender.

QUALQUER política que um sujeito invente com base nos seus próprios desejos sexuais deveria ser não apenas banida, como criminalizada. Ela atenta, na base, contra toda ordem jurídica possível e instaura o império do delírio de onipotência.

NENHUM desejo sexual pode ser, por si, objeto de proteção legal ou fonte de direitos. Toda proteção legal a atividades sexuais deriva da LIMITAÇÃO destas últimas e não de um inconcebível “direito ao prazer”.

Sexo é uma realidade biológica, gênero é um conceito gramatical que se aplica metafórica ou metonímicamente a uma infinidade de objetos que não têm sexo. Regular as atividades sexuais com base no conceito de gênero é subordinar os fatos da natureza às arbitrariedades da linguagem humana, como se fosse possível vender as mocinhas como confeitos pelo simples fato de alguém tê-las chamado de “docinhos de coco”.

TODO adepto da “ideologia de gênero” é, quase por definição, um analfabeto funcional. Sua presença no parlamento, na mídia ou nas cátedras universitárias reflete uma crise gravíssima não só da cultura, mas da própria racionalidade humana.

O de C

terça-feira, 8 de março de 2016

No passado, era muito mais difícil uma pessoa não-qualificada ter acesso às produções de uma qualificada. O fim dessa era provavelmente veio com a imprensa. No século XVII, Descartes escreveu as Meditações em latim para evitar ser lido por gente deseducada -- ler em latim não tem nada de místico, mas na época era sinal de que você tinha passado por um curso mínimo de artes liberais. Hoje, já inventamos os analfabetos funcionais que lêem em latim, em grego, em sânscrito: são as maravilhas do mundo moderno. De quebra, criamos as redes sociais, que dão a esses mesmos analfabetos a sensação de uma ilusória "igualdade de direitos" na discussão intelectual. Basta existir para ter o direito de pôr o dedinho em riste e cobrar "refutações" dos seus "argumentos". Eis a definição do Facebook.

RFalcon

terça-feira, 1 de março de 2016

A chamada cultura pop moderna é a pior prisão onde podemos nos enfiar: é algo completamente autorreferente e que nos afetou demais durante a infância e a adolescência. Todo ritual de passagem à maturidade deveria incluir ao menos uns 2-3 anos de completa abstinência dessa porcaria.
Comentários
Francisco Escorsim
Francisco Escorsim O que você considera como sendo cultura pop moderna?
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Rafael Falcón
Rafael Falcón Olha, me mandaram umas gravações de música renascentista, e eu acho que aquilo ali já fazia mal pra cabeça...
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Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Quando falo penso mais no que convivi mesmo: pop-rock da década de 80 e 90. No entanto, isso também pode ser estendido para as gerações passadas a depender da fixação de cada um.
Francisco Escorsim
Francisco Escorsim Cinema e TV entraria?
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Penso mais em música mesmo, lembrando que não estou dizendo que tudo que aconteceu nos últimos 50 anos é uma porcaria absoluta.
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Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira O ponto central é a postura fetichista diante de algo que esteve presente em nossa infância e adolescência. É caipiragem no fim das contas.
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Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Enfim, o ponto nem é uma avaliação estética final, mas a posição que a cultura pop tem na nossa vida. É algo onipresente e que toma o aspecto de uma segunda natureza, a que nos agarramos como o caipira de outrora se agarrava a sua terra natal.
Francisco Escorsim
Francisco Escorsim Imaginei não fosse "tudo" e entendo o que você quer dizer. Mas, para mim, o sujeito arruma mais problemas cortando sem antes ir lá ver o que lhe fez, afinal, gostar do que gosta. Pela minha experiência, e de outros, percebo que quase sempre o apego não...Ver mais
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Pode ser só pose mesmo.
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Tem guri de 18 anos que ouve falar de alta cultura e já começa a pontificar. Mas o outro lado acho que é mais endêmico: a necessidade de endeusar um cantinho quentinho de nossa infância ou adolescência.
Francisco Escorsim
Francisco Escorsim Ah, com certeza, concordo plenamente.
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Partir de nossas circunstâncias é importante, mas no que se refere à cultura pop das últimas décadas esse cavar vira enfiar a cabeça debaixo da terra.
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Falo por experiência própria: era um comprador ávido de cd's, conhecia vários meandros da música, com o foco no que era "cool" e "sofisticado". Se não tivesse basicamente esquecido isso lá pelos meus 23-24 anos, iria ficar sempre arrumando um jeito de transformar aquilo em uma pose que se encaixasse nas novas leituras e percepções estéticas.
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Até porque eu valorizava muito aquilo, era realmente uma persona que eu incorporava.
Murilo Resende Ferreira
Murilo Resende Ferreira Eu me abstive mesmo durante muitos anos e depois até voltei a escutar algumas musiquinhas dessa época, mas sabia que só queria algum tipo de afago e memória quentinha.
Murilo Resende

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O adolescente é aquele que já percebe os defeitos dos adultos em redor, e intui seu próprio potencial para superá-los, mas ainda está atado pela obrigação de sujeitar-se a eles e pela impotência de quem mal chegou ao mundo. Esse é essencialmente o seu drama, e a depender de como ele o resolve, pode tornar-se um grande homem ou uma caricatura invertida e trágica da mediocridade que ele rejeita.

Há algo que os pais possam fazer para ajudar na resolução positiva desse drama?
Rafael Falcón
Rafael Falcón Tratar os filhos como adultos ignorantes, não como crianças metidas a besta. O que é mais necessário ao adolescente é um bom conjunto de mentores compreensivos, sejam eles pais, professores, quanto mais, melhor.
 
A geração passada manifestou sua rebeldia juvenil de modo puramente epidérmico, por meio dos movimentos contraculturais, do rock, etc. Viraram isso que estamos cansados de ver. Falando objetivamente, não é um bom exemplo a seguir.

Creio que uma adolescência saudável consista no convívio dialético permanente de dois fatores:
1) A recusa a aceitar a mediocridade reinante; a insistência em entender a fundo tudo o que me causa revolta; a transformação dos meus dramas numa verdadeira jornada intelectual e existencial.
2) A atitude geral de perdão a todos os erros e defeitos das pessoas, e especialmente das que têm poder sobre mim. Aceitar que o mundo pós-adâmico é o reino do demônio, que ignorância e injustiça se espalham por necessidade cósmica, não por culpa exclusiva dos indivíduos.
Numa palavra, a aceitação dos deveres próprios da juventude, mas acompanhada da aguda consciência de que os adultos também se enganam. Esse equilíbrio resulta numa ação obediente, mas insatisfeita; respeitosa, mas emulativa; ambiciosa, mas paciente; piedosa, mas audaz.

RFalcon