domingo, 8 de maio de 2016

Quando no século XIX o catolicismo se contaminou de moralismo burguês asséptico, tudo na cabeça do mundo ficou enormemente confuso.

Na igreja em que fui criado, Nossa Senhora da Paz, em São Paulo, havia dois painéis murais enormes do Fulvio Penacchi mostrando o céu e o inferno. Isso marcou a minha infância e toda a minha vida. Mas hoje falar dessas coisas não é politicamente correto. Ofende as alminhas dos ateus.

Estar do lado certo não é mérito nenhum. É um benefício que Deus concede àqueles cujos pecados Ele quer apagar.

Moral moderna: Fuja de todo pecado, guarde a sua alminha numa redoma e, pensando bem, nem saia na rua. Um pinguço pode lhe pedir esmola e arriscar você à danação eterna.

A ascensão da ciência médica misturou a moral com a higiene e com a mera decência. Aí todo mundo ficou santinho tomando banho e vestindo roupas limpas.

A consciência do pecado só vale quando desacompanhada da preocupação com a aparência e com a boa auto-imagem.

Jesus nunca foi indecente nem procurou ser decente. Só a opinião de Deus Pai contava para Ele.

Contemple diariamente a sua miséria e peça que Deus a encubra dos Seus próprios olhos -- não dos olhos dos maliciosos. Destes, você só tem de pedir que Deus corte as línguas.

Se caluniadores e maliciosos tivessem algum poder de persuasão, meus livros não venderiam um só exemplar.

O de C







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