Janaína Paschoal é uma grande patriota, sem dúvida. Só lhe falta uma compreensão mais clara da estratégia política.
Desde o início os movimentos de protesto deveriam ter concentrado
suas baterias na anulação das eleições, no fechamento do PT e na prisão
de todos os mensaleiros-petroleiros.
Desviar tudo para um modesto
pedido de impeachment foi uma espécie de autocastração preventiva,
baseada na falsa premissa de que é mais fácil obter o mínimo do que o
máximo. Pois o mínimo está custando o máximo.
Boa parte dos apóstolos do impeachment busca inseri-lo na "tradição
das nossas lutas democráticas" -- um remake das "Diretas Já" e do "Fora
Collor" --, isto é, na mesma tradição que criou o PT e o elevou ao
poder. Nem todos os que fazem isso são esquerdistas. São apenas ingênuos
que acreditam poder usar a esquerda contra ela mesma, o que já é
conceder a ela uma vitória estratégica antecipada em troca, na melhor
das hipóteses, de uma modesta vitória tática.
A modéstia dos objetivos é o pecado original da direita -- efeito
despercebido da "Espiral do Silêncio" aceita como "um imperativo
categórico, um mandamento divino".
Apóio o pedido de impeachment? É claro que sim. De autocastração em autocastração, foi tudo o que nos restou.
Quando o Michel Temer promete que no seu governo "não haverá caça às
bruxas", o que ele está dizendo é: "Não rolará mais cabeça nenhuma.
Contentem-se com a da Dilma e dêem-se por muito satisfeitos."
O de C
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