segunda-feira, 4 de abril de 2016

Janaína Paschoal é uma grande patriota, sem dúvida. Só lhe falta uma compreensão mais clara da estratégia política.

Desde o início os movimentos de protesto deveriam ter concentrado suas baterias na anulação das eleições, no fechamento do PT e na prisão de todos os mensaleiros-petroleiros.
Desviar tudo para um modesto pedido de impeachment foi uma espécie de autocastração preventiva, baseada na falsa premissa de que é mais fácil obter o mínimo do que o máximo. Pois o mínimo está custando o máximo.

Boa parte dos apóstolos do impeachment busca inseri-lo na "tradição das nossas lutas democráticas" -- um remake das "Diretas Já" e do "Fora Collor" --, isto é, na mesma tradição que criou o PT e o elevou ao poder. Nem todos os que fazem isso são esquerdistas. São apenas ingênuos que acreditam poder usar a esquerda contra ela mesma, o que já é conceder a ela uma vitória estratégica antecipada em troca, na melhor das hipóteses, de uma modesta vitória tática.

A modéstia dos objetivos é o pecado original da direita -- efeito despercebido da "Espiral do Silêncio" aceita como "um imperativo categórico, um mandamento divino".

Apóio o pedido de impeachment? É claro que sim. De autocastração em autocastração, foi tudo o que nos restou.

Quando o Michel Temer promete que no seu governo "não haverá caça às bruxas", o que ele está dizendo é: "Não rolará mais cabeça nenhuma. Contentem-se com a da Dilma e dêem-se por muito satisfeitos."



O de C

Nenhum comentário:

Postar um comentário