A única boa idéia que os petistas tiveram foi o pão com mortadela.
Quando vi nas passeatas, lembrei que fazia dez anos que eu não comia
isso, e passei a comprar toneladas de mortadela pela Amazon.
O de C
sábado, 2 de abril de 2016
Respondendo ao Anderson Silva: Não vejo nenhuma unidade no fenômeno
maçônico, que permita uma tomada de posição integral a favor ou contra.
Ser contra DOUTRINAS maçônicas ou contra as investidas anticristãs da
maçonaria, como todo católico tem de ser, não pode suprimir o fato de
que ao longo da maior parte do século XX o único abrigo seguro do
cristianismo em geral, e do catolicismo em especial, esteve numa nação
criada eminentemente pela Maçonaria: OS EUA. Também não se pode esquecer
que o antimaçonismo militante se tornou até doutrina oficial do nazismo
e do comunismo (com exceções locais, como Cuba). Qualquer "tomada de
posição" que implique suprimir as contradições e ambigüidades dos fatos é
CHARLATANISMO.
Felipe Lannes Olavo, a maçonaria domina tudo, inclusive o Vaticano. O que mais tem lá são símbolos maçons, fora sua arquitetura. Há quem diga que o próprio Karl Marx era maçom. Aquela foto clássica dele com a mão pra dentro do paletó é um simbolismo maçônico
Olavo de Carvalho Felipe Lannes Besteira grossa. Quase todos os símbolos maçônicos têm uma longa história anterior à criação da Maçonaria. Pelo "método" de usar os símbolos como provas da presença de um poder, todos os símbolos cristãos acabam sendo pagãos.
Felipe Lannes Sei não, professor. Mas particularmente eu acredito que todo o sistema religioso está na mão deles, foi criado por eles mesmos e que o nosso senhor Deus está acima disso. Na verdade, ele não queria isso. Senão Deus não teria dito a Salomão para que não fosse criado nenhum templo, assim como ele fez, desobedecendo a ordem do pai.
Felipe Lannes Olavo, a maçonaria domina tudo, inclusive o Vaticano. O que mais tem lá são símbolos maçons, fora sua arquitetura. Há quem diga que o próprio Karl Marx era maçom. Aquela foto clássica dele com a mão pra dentro do paletó é um simbolismo maçônico
Olavo de Carvalho Felipe Lannes Besteira grossa. Quase todos os símbolos maçônicos têm uma longa história anterior à criação da Maçonaria. Pelo "método" de usar os símbolos como provas da presença de um poder, todos os símbolos cristãos acabam sendo pagãos.
Felipe Lannes Sei não, professor. Mas particularmente eu acredito que todo o sistema religioso está na mão deles, foi criado por eles mesmos e que o nosso senhor Deus está acima disso. Na verdade, ele não queria isso. Senão Deus não teria dito a Salomão para que não fosse criado nenhum templo, assim como ele fez, desobedecendo a ordem do pai.
Olavo de Carvalho Felipe Lannes Não existiu Maçonaria antes do século XVIII. Se ela criou religiões, foi na base do "Exterminador do Futuro".
Curtir · Responder · 36 · Ontem às 14:31
Felipe Lannes Há
passagens na bíblia, no antigo testamento, que fala sobre povos
cultuando deuses que são cultuados pela maçonaria até hoje, sendo grande
parte deles, egípcios. Um nome talvez tenha surgido bem depois mesmo,
mas a maçonaria surgiu com Salomão.
Marcos Belzaro Se não tivesse havido o golpe republicano no Brasil, haveriam favelas?
Olavo de Carvalho Talvez não, mas talvez não existisse também a Igreja Católica, que só na era republicana teve a liberdade de se expandir.
Curtir · Responder · 34 · Ontem às 14:11
Fabiano Costa Figueiredo Olavo de Carvalho
O terceiro reinado de Isabel favoreceria a igreja católica. Ela e o
marido o conde D Eu eram católicos fervorosos e bem criticados por isso
na imprensa anticlerical da época do império.
Curtir · Responder · 2 · Ontem às 16:10
Olavo de Carvalho Fabiano Costa Figueiredo
Talvez. Mas ao longo de todo o Império a Igreja foi tão perseguida,
que, de três mil monges em 1822, sobravam apenas oito no dia da
proclamação da República.
Fabiano Costa Figueiredo Olavo de Carvalho
Estranho para um pais que a constituição de 1824 definia como
oficialmente católico mas sim era um catolicismo de fachada em muitos
casos. Qual historiador cita essa estatística dos monges perdoe minha
ignorância?
Interpretar símbolos como "provas" da presença de um poder ou influência material é coisa de ANALFABETO.
Por esse "método" você acaba concluindo que o nazismo é hinduísta.
Colocar a mão sob a camisa, na altura do diafragma, é um símbolo maçônico? Prova que alguém é maçom? Ora, porra, quem popularizou esse gesto foi Napoleão Bonaparte, que reuniu contra si toda a maçonaria européia.
Elias Santos O vaticano esta repleto de símbolos maçônicos, a praça de São Pedro esta projetada toda, em símbolos maçônicos e pagãos. Existem salas no vaticano que é tão repleta de indicadores maçônicos que, talvez ,seja por isso, proibida a filmagem.
A regra número um da ciência do simbolismo é a impossibilidade de reduzir um símbolo a um significado único. Nenhum símbolo, portanto, significa algo por si mesmo independentemente da interpretação que lhe dá o seu usuário.
Carlos Rodrigues Professor, poderia me indicar um livro para compreender a ciência do Simbolismo?
Cá entre nós: "perenialismo maçônico" o caralho. O fundador e líder inconteste do perenialismo, Frithjof Schuon, ODIAVA a maçonaria.
Pessoas de mentalidade militante, sempre na defesa apaixonada do seu grupinho, não são capazes de conceber uma inteligência livre, apta a reconhecer a verdade sob qualquer das suas formas e versões parciais. Quando vêem você admitir alguma veracidade nesta ou naquela corrente -- ou mesmo simplesmente não tê-la criticado --, já concluem que você é um adepto dela, e reinterpretam à luz disso o que quer que você diga. Esse é um dos sinais mais característicos da atrofia intelectual brasileira. Muitos católicos tradicionalistas não escapam disso. São provincianos que interpretam o mundo na escala da sua província mental.
Frithjof Schuon rompeu com Guénon por causa da maçonaria. Ele proibia aos seus discípulos qualquer aproximação com lojas maçônicas. Mas o próprio Guénon, que sempre insistiu na "autenticidade tradicional" da maçonaria, acabou por concluir que essa organização não poderia representar nenhum papel relevante na "restauração espiritual" do Ocidente. No fim da vida, ele só apostava mesmo era no Islam.
Marco Montandon Com estas escolhas que importancia dar a estas pessoas nao importando quao elaborado sao seus discursos.
Carlos A. Amaral Santos Seria meio previsível o sr. Schuon apoiar a corrente maçônica afinal ele era essencialmente podre sr. prof. Olavo. O que esperar de um cara que praticava imoralidades com menores de idade em círculos fechado e ainda pintou um quadro imoral atribuindo ser "Virgem Maria" dentre outras absurdidades. Esses neguinhos Schuon e Guénon e outros derivados que se aproximam do mesmo espírito o favor que eles merecem é serem riscados da história. Aliás que Deus os encarregue de riscar da história. Pode haver genealidade específicias aqui e ali mas de nada vale se no conjunto o sujeito favorece o péssimo, o mau, o enganoso e é um servidor da corrente do anti-Deus, anti-Cristo. Como católico apostólico romano não me dobro perante esses palhaços. Odeio-os.
A mim não interessa se o autor que estou lendo é católico, protestante, maçom, comunista, esotérico ou sei lá o que mais. Interessa é apreender o que ele diz de VERDADE, mesmo que no meio de erros. A pior das ilusões é pensar que a adesão a uma doutrina universal verdadeira, mesmo revelada pelo próprio Deus, garanta o conhecimento da verdade nas situações particulares e concretas, ou, inversamente, que ter uma doutrina geral errada impeça de conhecer a verdade nessas situações.
O de C
Por esse "método" você acaba concluindo que o nazismo é hinduísta.
Colocar a mão sob a camisa, na altura do diafragma, é um símbolo maçônico? Prova que alguém é maçom? Ora, porra, quem popularizou esse gesto foi Napoleão Bonaparte, que reuniu contra si toda a maçonaria européia.
Elias Santos O vaticano esta repleto de símbolos maçônicos, a praça de São Pedro esta projetada toda, em símbolos maçônicos e pagãos. Existem salas no vaticano que é tão repleta de indicadores maçônicos que, talvez ,seja por isso, proibida a filmagem.
Olavo de Carvalho Erradíssimo.
A Praça foi erguida antes que a Maçonaria viesse a existir. Arquitetura
maçônica explícita você é em templos protestantes nos EUA.
Elias Santos Acredito
que a maçonaria esta infiltrada em todas instituições atualmente. O
papa Francisco esta seguindo fielmente as diretrizes globalistas. Não
sou contra os católicos mas sou contra as heresias impostas pelo falso
Papa.
Elias Santos Mas vindo de um Jesuíta... tudo pode se esperar...
A regra número um da ciência do simbolismo é a impossibilidade de reduzir um símbolo a um significado único. Nenhum símbolo, portanto, significa algo por si mesmo independentemente da interpretação que lhe dá o seu usuário.
Carlos Rodrigues Professor, poderia me indicar um livro para compreender a ciência do Simbolismo?
Olavo de Carvalho Gilbert Durand.
Cá entre nós: "perenialismo maçônico" o caralho. O fundador e líder inconteste do perenialismo, Frithjof Schuon, ODIAVA a maçonaria.
Pessoas de mentalidade militante, sempre na defesa apaixonada do seu grupinho, não são capazes de conceber uma inteligência livre, apta a reconhecer a verdade sob qualquer das suas formas e versões parciais. Quando vêem você admitir alguma veracidade nesta ou naquela corrente -- ou mesmo simplesmente não tê-la criticado --, já concluem que você é um adepto dela, e reinterpretam à luz disso o que quer que você diga. Esse é um dos sinais mais característicos da atrofia intelectual brasileira. Muitos católicos tradicionalistas não escapam disso. São provincianos que interpretam o mundo na escala da sua província mental.
Frithjof Schuon rompeu com Guénon por causa da maçonaria. Ele proibia aos seus discípulos qualquer aproximação com lojas maçônicas. Mas o próprio Guénon, que sempre insistiu na "autenticidade tradicional" da maçonaria, acabou por concluir que essa organização não poderia representar nenhum papel relevante na "restauração espiritual" do Ocidente. No fim da vida, ele só apostava mesmo era no Islam.
Marco Montandon Com estas escolhas que importancia dar a estas pessoas nao importando quao elaborado sao seus discursos.
Olavo de Carvalho Marco Montandon Desprezar QUALQUER expressão da alta cultura, boa ou má, é impedir-se de compreender o tempo histórico em que se vive.
Marco Montandon Olavo de Carvalho
Mas todo o bla bla bla deles os conduziu a isto? Porque eles como
especiais?Nao estou desprezando boa ou ma "alta" cultura ( no caso deles
talves nao tao alta quanto lhes atribuida) mas sim nao reconhecendo a
relevancia dada a eles pelo resultado que chegaram.
Carlos A. Amaral Santos Seria meio previsível o sr. Schuon apoiar a corrente maçônica afinal ele era essencialmente podre sr. prof. Olavo. O que esperar de um cara que praticava imoralidades com menores de idade em círculos fechado e ainda pintou um quadro imoral atribuindo ser "Virgem Maria" dentre outras absurdidades. Esses neguinhos Schuon e Guénon e outros derivados que se aproximam do mesmo espírito o favor que eles merecem é serem riscados da história. Aliás que Deus os encarregue de riscar da história. Pode haver genealidade específicias aqui e ali mas de nada vale se no conjunto o sujeito favorece o péssimo, o mau, o enganoso e é um servidor da corrente do anti-Deus, anti-Cristo. Como católico apostólico romano não me dobro perante esses palhaços. Odeio-os.
Olavo de Carvalho Carlos A. Amaral Santos
Não tenho nenhuma simpatia pelo Schuon, que me prejudicou gravemente,
mas, em prol da verdade, é preciso reconhecer que as acusações de
pedofilia -- levantadas por um louco que tinha um caso com a mulher dele
-- jamais foram provadas.
A mim não interessa se o autor que estou lendo é católico, protestante, maçom, comunista, esotérico ou sei lá o que mais. Interessa é apreender o que ele diz de VERDADE, mesmo que no meio de erros. A pior das ilusões é pensar que a adesão a uma doutrina universal verdadeira, mesmo revelada pelo próprio Deus, garanta o conhecimento da verdade nas situações particulares e concretas, ou, inversamente, que ter uma doutrina geral errada impeça de conhecer a verdade nessas situações.
O de C
Tiago Ramos de Carvalho Olavo de Carvalho o que falo pro sujeito que não acredita ter alma nem espírito mas acredita que a vida veio do acaso, sem propósito?
Olavo de Carvalho Mande-o ler o livro do David Berlinski, "Te Devil's Delusion"
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Quando eu era pequeno, ver a minha mãe sofrer, sem poder ajudá-la, me
levava ao desespero e quase à loucura. Meus desenhos da época -- eu
desenhava dia e noite -- tinham um tema recorrente: um homem maduro e
forte, com uma barba muito preta, socorria um bebê, um cachorro, uma
velhinha em apuros. Eu queria ser esse homem, é claro. Mas, na ocasião,
tudo o que eu podia fazer pela minha mãe -- ou por quem quer que fosse
-- eram micagens para fazê-la rir por uns momentos. Até hoje tento
aliviar os sofrimentos das pessoas por meio de piadas. Às vezes consigo.
O de C
O de C
A pretensão de representar no miserável tempo presente a autoridade
moral do futuro glorioso é a essência do movimento revolucionário. Por
isso mesmo ele só pode existir e prosperar SE OS SEUS OBJETIVOS FOREM
INALCANÇÁVEIS. O fracasso em realizar as promessas do comunismo, ao
contrário do que imaginam os críticos liberais, não é um verdadeiro
fracasso: é a condição indispensável do seu sucesso contínuo. O
comunismo não é um ideal que falhou: é uma armadilha perversa que
aprisiona a humanidade num círculo de autodestruição como quem amarra
uma salsicha no rabo de um cachorro.
Essa é aliás a maior dificuldade para o político comunista que é eleito para governar uma nação democrática: ele tem de manter o círculo da destruição em movimento e ao mesmo tempo apresentar alguns resultados positivos para agradar o eleitorado. Mais dia, menos dia, essa tentativa de conciliar o inconciliável leva a um beco-sem-saída, e então, das duas uma: ou o governante cai, ou arranca a máscara democrática e parte logo para a violência ditatorial. Esse será um dos temas do meu curso "Política e Cultura no Brasil".
O de C
Essa é aliás a maior dificuldade para o político comunista que é eleito para governar uma nação democrática: ele tem de manter o círculo da destruição em movimento e ao mesmo tempo apresentar alguns resultados positivos para agradar o eleitorado. Mais dia, menos dia, essa tentativa de conciliar o inconciliável leva a um beco-sem-saída, e então, das duas uma: ou o governante cai, ou arranca a máscara democrática e parte logo para a violência ditatorial. Esse será um dos temas do meu curso "Política e Cultura no Brasil".
O de C
Basta alguma experiência da vida, mesmo com pouco ou nenhum estudo da
filosofia, para entender que a teoria de Hegel, tal como resumida por
Alexandre Kojève, segundo a qual o ser humano se torna autoconsciente
por meio do conflito com o Outro, é uma simplificação unilateral, pueril
e maximamente idiota, boa para deslumbrar adolescentes que buscam em
poses de malícia a compensação do seu complexo de imaturidade.
Hegel está certo ao dizer que nossa autoconsciência se define pela relação com os outros. Mas reduzir essa relação a um conflito de vontades é coisa de menino neurótico. Lembro-me, por exemplo, de que muitas pessoas em torno me pareciam arrastadas ao sofrimento por uma compulsão anancástica, uma espécie de urucubaca auto-infligida e incurável, e muito cedo na vida decidi que comigo isso não ia ser assim, que eu iria lutar para assumir o meu destino nas minhas próprias mãos. Mas isso não foi um conflito de vontades, e sim um contraste de destinos, coisa muito mais complicada.
É impressionante como tantos escritores franceses se deixaram hipnotizar pela dupla Hegel-Kojève ao ponto de vir a imaginar suas próprias vidas sob o modelo do conflito dialético entre o eu e o outro, em vez de examinar essas vidas com seus próprios olhos e ver que não cabiam inteiramente no modelo.
O de C
Hegel está certo ao dizer que nossa autoconsciência se define pela relação com os outros. Mas reduzir essa relação a um conflito de vontades é coisa de menino neurótico. Lembro-me, por exemplo, de que muitas pessoas em torno me pareciam arrastadas ao sofrimento por uma compulsão anancástica, uma espécie de urucubaca auto-infligida e incurável, e muito cedo na vida decidi que comigo isso não ia ser assim, que eu iria lutar para assumir o meu destino nas minhas próprias mãos. Mas isso não foi um conflito de vontades, e sim um contraste de destinos, coisa muito mais complicada.
É impressionante como tantos escritores franceses se deixaram hipnotizar pela dupla Hegel-Kojève ao ponto de vir a imaginar suas próprias vidas sob o modelo do conflito dialético entre o eu e o outro, em vez de examinar essas vidas com seus próprios olhos e ver que não cabiam inteiramente no modelo.
O de C
Uma coisa que sempre me impressiona nos autores marxistas é sua
capacidade de raciocinar com base em premissas jamais provadas,
tomando-as como se fossem verdades inquestionáveis. TODOS, sem exceção,
fazem isso.
Uma característica essencial e constante do pensamento marxista é raciocinar sempre a partir de premissas fixadas pela sua própria tradição e desenvolvê-las em mil e uma ramificações e conseqüências, elaborando meticulosamente as divergências internas e detalhes históricos da formação de cada variante, sem JAMAIS voltar às questões fundamentais e recolocar em questão os princípios. Nunca vi um só pensador marxista que tentasse, nem de longe, provar a veracidade da mais-valia, da luta de classes como motor principal da História, ou mesmo do materialismo dialético de modo geral. Tudo o que se faz é criar novas e mais sofisticadas versões desses princípios, discutir as diferentes interpretações que receberam de vários teóricos, e "aplicá-los" a novas construções explicativas de tal ou qual fenômeno histórico-social, sem nem mesmo cotejá-las com qualquer explicação alternativa, dada "in limine" como viciada por interesses de classe. Assim, a discussão pode evoluir indefinidamente, estendendo-se num vasto e inabarcável matagal de questões interessantíssimas jamais submetidas ao teste de realidade. Vidas inteiras consomem-se assim na dedicação integral à construção de uma mixórdia intelectual sem fim, cada vez mais fascinante e hipnótica. É assim que o acachapante fracasso econômico do comunismo coexiste pacificamente com o seu permanente sucesso editorial e universitário.
Saulo Freitas Bass Prof. Olavo, todos estes políticos, mídia, artistas, classe docente, aqui no Brasil, sabe bem as técnicas marxistas ou estão mais para imbecis a serviço da confusa cultura comunista?
Olavo de Carvalho: Respondendo ao Saulo Freitas Bass: Basta que um entre cada cem esteja consciente. O resto, como bem dizia Willi Münzenberg, é "criação de coelhos".
Por isso o marxista jamais DISCUTE com outras correntes de pensamento: Ignora-as ou as reinterpreta segundo os seus próprios cânones, jamais lhes concedendo o direito de falar por si mesmas. A tradição marxista é um solipsismo coletivo fundado num sentimento de solidariedade militante e autoproteção psíquica contra o "inimigo de classe". É o mais esplêndido fenômeno de teratologia intelectual de todos os tempos.
Stalin e a turma da KGB sempre compreenderam o marxismo muito mais do que todos os filósofos marxistas.
Jean Martins Bataiola Professor depois de Marx, qual foi o maior filósofo do marxismo? Seria Gramsci?
Olavo de Carvalho Jean Martins Bataiola Lukacs, de longe.
Se você começa a ler a "Estética" de Georg Lukacs, você tem material para continuar pensando pelo resto da sua vida sem JAMAIS ter tempo de perguntar: "Mas, afinal, essa porra é VERDADE?"
Hegel, que era um filósofo de raça, embora com um sutil pendor pela vigarice, ensinava que a fé no poder de conhecer a verdade é a primeira condição da investigação filosófica. Mas o marxismo se tornou tão rico e complexo que uma vida não basta para conhecê-lo por inteiro, de modo que a questão da verdade vai sendo adiada até ser completamente esquecida.
Um pouco de estudo da História basta para provar que a colaboração entre as classes com vistas a um bem maior é um elemento muito mais constante do que a "luta de classes". É fácil, no entanto, escapar desse fato sob o pretexto de que os momentos de colaboração e harmonia refletem apenas o triunfo temporário da classe dominante e a falta de autoconsciência da classe dominada. É assim que a paz se torna guerra, e a guerra paz, numa fascinante suruba de gatos pardos.
Se numa família existe amor e harmonia em vez de ódios e recriminações, a teoria feminista chama isso de triunfo temporário do macho, e fica provado que "no fundo" é tudo ódio e recriminação. A interpretação neutraliza os fatos. É o mesmo esquema da "luta de classes".
Quando ouço professores universitários brasileiros de sessenta, setenta anos falando sobre Georg Lukacs, vejo no que eu teria me tornado se continuasse pensando como pensava aos dezessete anos. De que merda escapei, quiuspa!
Marxistas não ligam a mínima para a verdade porque acreditam que a única verdade é a do processo histórico, do qual eles própios pretendem ser os condutores. É o pretexto mais elegante que alguém já encontrou para inventar a verdade a seu belprazer. Nunca a expressão "donos da verdade" se aplicou tão perfeitamente. Fazem com a dita cuja o que bem entendem. É difícil deixar de ser marxista porque o marxismo é um prazer narcisístico indescritível. É uma punheta intelectual de fazer inveja ao Padre Beto.
Há um certo tipo de idiotice que é vedado aos cidadãos comuns. Só filósofos lhe têm acesso.
Ninguém no mundo consegue raciocinar com tantos pressupostos embutidos quanto um marxista. Aos dezessete anos comecei a ler a gigantesca "Estética" de Georg (ou Gyorgy) Lukacs. Nunca passei do primeiro volume, e até hoje me surpreendo de ver, ali, em quantas coisas um sujeito pode acreditar sem saber que acredita.
O materialismo é um PRESSUPOSTO do marxismo, Nenhum marxista jamais tentou prová-lo. Só o que fazem é elaborá-lo em versões cada vez mais sofisticadas e elegantes, ao ponto de tornar-se incapazes de distingui-lo do idealismo subjetivo, como creio ter demonstrado suficientemente em "O Jardim das Aflições"
As comunidades de intelectuais são clubes de hipnose recíproca.
Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Todo marxista acha que é um pouco mais: "Eu sou o caminho, a verdade, a vida e a práxis."
Para um marxista, é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL parar para perguntar: "E se esta merda que eu estou dizendo não for verdade?"
O problema com a crítica liberal-conservadora do marxismo é que ela procura demonstrar que ele não é verdade. Essa questão é inacessível à mente marxista, já que a única verdade que ela reconhece é a da práxis, que ela própria encarna ou acredita encarnar. O marxismo não é acessível à crítica lógica, só ao desmascaramento psicológico. Por isso é que romances como "1984" ou "Darkness at Noon" fizeram muito mais estragos no campo marxista do que qualquer análise crítica, por mais linda que fosse.
Os marxistas jamais odiaram algum filósofo liberal-conservador tanto quando odiaram Arthur Koestler e George Orwell. A mensagem destes era simples: "Eu não estou dizendo que a sua filosofia é falsa. Só estou dizendo que você é um filho da puta."
É errado pensar que o marxismo seja uma religião, voltada para a visão utópica de um futuro maravilhoso. Os marxistas falam MUITO POUCO desse glorioso mundo futuro. O que eles curtem mesmo é a participação presente na práxis, a qual é mesmo um tesão indescritível.
Os cristãos falam pouco do Paraíso porque sabem que não são eles que vão criá-lo e que nem adianta dar palpites a respeito. Os marxistas, embora se digam os criadores do seu paraíso futuro, falam pouco sobre ele porque não estão nem minimamente interessados em criá-lo, e sim apenas em continuar curtindo pelos séculos dos séculos o tesão praxeológico.
Lucien Goldmann disse uma vez que para ele o socialismo era "uma experiência religiosa". Mas ele não se referia à contemplação extática do futuro paraíso socialista e sim ao indescritível tesão espiritual da participação na práxis.
O de C
Uma característica essencial e constante do pensamento marxista é raciocinar sempre a partir de premissas fixadas pela sua própria tradição e desenvolvê-las em mil e uma ramificações e conseqüências, elaborando meticulosamente as divergências internas e detalhes históricos da formação de cada variante, sem JAMAIS voltar às questões fundamentais e recolocar em questão os princípios. Nunca vi um só pensador marxista que tentasse, nem de longe, provar a veracidade da mais-valia, da luta de classes como motor principal da História, ou mesmo do materialismo dialético de modo geral. Tudo o que se faz é criar novas e mais sofisticadas versões desses princípios, discutir as diferentes interpretações que receberam de vários teóricos, e "aplicá-los" a novas construções explicativas de tal ou qual fenômeno histórico-social, sem nem mesmo cotejá-las com qualquer explicação alternativa, dada "in limine" como viciada por interesses de classe. Assim, a discussão pode evoluir indefinidamente, estendendo-se num vasto e inabarcável matagal de questões interessantíssimas jamais submetidas ao teste de realidade. Vidas inteiras consomem-se assim na dedicação integral à construção de uma mixórdia intelectual sem fim, cada vez mais fascinante e hipnótica. É assim que o acachapante fracasso econômico do comunismo coexiste pacificamente com o seu permanente sucesso editorial e universitário.
Saulo Freitas Bass Prof. Olavo, todos estes políticos, mídia, artistas, classe docente, aqui no Brasil, sabe bem as técnicas marxistas ou estão mais para imbecis a serviço da confusa cultura comunista?
Olavo de Carvalho: Respondendo ao Saulo Freitas Bass: Basta que um entre cada cem esteja consciente. O resto, como bem dizia Willi Münzenberg, é "criação de coelhos".
Por isso o marxista jamais DISCUTE com outras correntes de pensamento: Ignora-as ou as reinterpreta segundo os seus próprios cânones, jamais lhes concedendo o direito de falar por si mesmas. A tradição marxista é um solipsismo coletivo fundado num sentimento de solidariedade militante e autoproteção psíquica contra o "inimigo de classe". É o mais esplêndido fenômeno de teratologia intelectual de todos os tempos.
Stalin e a turma da KGB sempre compreenderam o marxismo muito mais do que todos os filósofos marxistas.
Jean Martins Bataiola Professor depois de Marx, qual foi o maior filósofo do marxismo? Seria Gramsci?
Olavo de Carvalho Jean Martins Bataiola Lukacs, de longe.
Se você começa a ler a "Estética" de Georg Lukacs, você tem material para continuar pensando pelo resto da sua vida sem JAMAIS ter tempo de perguntar: "Mas, afinal, essa porra é VERDADE?"
Hegel, que era um filósofo de raça, embora com um sutil pendor pela vigarice, ensinava que a fé no poder de conhecer a verdade é a primeira condição da investigação filosófica. Mas o marxismo se tornou tão rico e complexo que uma vida não basta para conhecê-lo por inteiro, de modo que a questão da verdade vai sendo adiada até ser completamente esquecida.
Um pouco de estudo da História basta para provar que a colaboração entre as classes com vistas a um bem maior é um elemento muito mais constante do que a "luta de classes". É fácil, no entanto, escapar desse fato sob o pretexto de que os momentos de colaboração e harmonia refletem apenas o triunfo temporário da classe dominante e a falta de autoconsciência da classe dominada. É assim que a paz se torna guerra, e a guerra paz, numa fascinante suruba de gatos pardos.
Se numa família existe amor e harmonia em vez de ódios e recriminações, a teoria feminista chama isso de triunfo temporário do macho, e fica provado que "no fundo" é tudo ódio e recriminação. A interpretação neutraliza os fatos. É o mesmo esquema da "luta de classes".
Quando ouço professores universitários brasileiros de sessenta, setenta anos falando sobre Georg Lukacs, vejo no que eu teria me tornado se continuasse pensando como pensava aos dezessete anos. De que merda escapei, quiuspa!
Marxistas não ligam a mínima para a verdade porque acreditam que a única verdade é a do processo histórico, do qual eles própios pretendem ser os condutores. É o pretexto mais elegante que alguém já encontrou para inventar a verdade a seu belprazer. Nunca a expressão "donos da verdade" se aplicou tão perfeitamente. Fazem com a dita cuja o que bem entendem. É difícil deixar de ser marxista porque o marxismo é um prazer narcisístico indescritível. É uma punheta intelectual de fazer inveja ao Padre Beto.
Há um certo tipo de idiotice que é vedado aos cidadãos comuns. Só filósofos lhe têm acesso.
Ninguém no mundo consegue raciocinar com tantos pressupostos embutidos quanto um marxista. Aos dezessete anos comecei a ler a gigantesca "Estética" de Georg (ou Gyorgy) Lukacs. Nunca passei do primeiro volume, e até hoje me surpreendo de ver, ali, em quantas coisas um sujeito pode acreditar sem saber que acredita.
O materialismo é um PRESSUPOSTO do marxismo, Nenhum marxista jamais tentou prová-lo. Só o que fazem é elaborá-lo em versões cada vez mais sofisticadas e elegantes, ao ponto de tornar-se incapazes de distingui-lo do idealismo subjetivo, como creio ter demonstrado suficientemente em "O Jardim das Aflições"
As comunidades de intelectuais são clubes de hipnose recíproca.
Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Todo marxista acha que é um pouco mais: "Eu sou o caminho, a verdade, a vida e a práxis."
Para um marxista, é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL parar para perguntar: "E se esta merda que eu estou dizendo não for verdade?"
O problema com a crítica liberal-conservadora do marxismo é que ela procura demonstrar que ele não é verdade. Essa questão é inacessível à mente marxista, já que a única verdade que ela reconhece é a da práxis, que ela própria encarna ou acredita encarnar. O marxismo não é acessível à crítica lógica, só ao desmascaramento psicológico. Por isso é que romances como "1984" ou "Darkness at Noon" fizeram muito mais estragos no campo marxista do que qualquer análise crítica, por mais linda que fosse.
Os marxistas jamais odiaram algum filósofo liberal-conservador tanto quando odiaram Arthur Koestler e George Orwell. A mensagem destes era simples: "Eu não estou dizendo que a sua filosofia é falsa. Só estou dizendo que você é um filho da puta."
É errado pensar que o marxismo seja uma religião, voltada para a visão utópica de um futuro maravilhoso. Os marxistas falam MUITO POUCO desse glorioso mundo futuro. O que eles curtem mesmo é a participação presente na práxis, a qual é mesmo um tesão indescritível.
Os cristãos falam pouco do Paraíso porque sabem que não são eles que vão criá-lo e que nem adianta dar palpites a respeito. Os marxistas, embora se digam os criadores do seu paraíso futuro, falam pouco sobre ele porque não estão nem minimamente interessados em criá-lo, e sim apenas em continuar curtindo pelos séculos dos séculos o tesão praxeológico.
Lucien Goldmann disse uma vez que para ele o socialismo era "uma experiência religiosa". Mas ele não se referia à contemplação extática do futuro paraíso socialista e sim ao indescritível tesão espiritual da participação na práxis.
O de C
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