quarta-feira, 6 de abril de 2016

A única maneira de desfazer a rede infernal de confusões e deformações que os devotados historiadores da minha carreira de crimes, desvarios, perversões e iniqüidades criaram em torno do que imaginam ter sido a minha vida seria contar cada episódio tim-tim por tim-tim, isto é, escrever a minha autobiografia com narcisística profusão de detalhes. Não me sinto nem um pouco inclinado a desperdiçar o meu tempo e o do leitor com essas ninharias a que só um demente obsessivo ou um difamador profissional muito bem pago daria atenção. Deixarei, pois, tudo como está e continuarei concentrando meus neurônios em coisas de maior relevância.

Na verdade, em geral só conservo na memória os episódios cômicos. Uma vez, um sujeito ligado a uma quadrilha de estelionatários contra a qual eu era testemunha num inquérito me telefonou dizendo que ia comer o meu cu. Respondi:
-- Talvez, mas o seu eu já comi, pois aqui ao lado há uma pessoa gravando este telefonema e amanhã a gravação estará nas mãos do delegado.
Clic! Desligou.


O de C

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